Divórcio e Dívidas. Quem Paga a Conta que Está no Nome do Outro?
- Christofer Castro
- 11 de dez. de 2025
- 4 min de leitura

O Nó Que Aparece Quando o Casamento Acaba
Imagine o momento do divórcio. A cabeça cheia, o coração apertado e a sensação de que tudo precisa ser resolvido rápido. A maioria das pessoas pensa imediatamente nos bens. A casa. O carro. As economias. Mas existe uma pergunta que quase sempre chega depois e pega muitos de surpresa. Quem paga as dívidas?
A ideia comum é simples. Quem assinou paga. Mas será que a lei funciona assim?Você já passou por isso? Olhar uma fatura alta e pensar que aquilo nunca deveria recair sobre você?
Pois bem. A legislação brasileira traz uma lógica diferente da que muitos imaginam. E essa lógica pode transformar completamente o rumo financeiro de quem está se separando.
A Regra Geral. A Dívida Costuma Ser dos Dois
Quando o casamento funciona sob comunhão parcial ou comunhão universal, a lei parte de uma presunção. Tudo o que surge durante a vida em comum costuma pertencer ao casal. E isso inclui aquilo que muitos gostariam de esquecer. As dívidas.
A lógica é simples. Se a união é um projeto em conjunto, presume-se que os gastos foram feitos para manter esse projeto vivo. Mesmo que apenas um tenha assinado. Mesmo que o outro nunca tenha visto o contrato.
Se a dívida nasceu durante o casamento, ela é dividida. Se beneficiou a rotina familiar, ela é dividida. Se ajudou a manter a vida do lar, ela é dividida.
É aqui que muitos percebem que a separação não encerra apenas uma relação. Ela também revela responsabilidades financeiras que ficaram escondidas durante anos.
Situações Comuns em Que as Dívidas São Divididas
Alguns exemplos ajudam a visualizar como isso funciona na prática.
Cartão de crédito usado para despesas da casa
As compras não precisam ser grandes. Mercado. Escola. Farmácia. Se o gasto serviu para a família, a dívida costuma ser compartilhada.
Empréstimos feitos para mobiliar ou reformar o lar
Cama nova. Pintura. Armários. Se o benefício foi para todos, a dívida tende a ser considerada comum.
Financiamento de carro adquirido durante o casamento
O veículo faz parte do dia a dia familiar. A divisão é regra em grande parte dos casos.
Essas situações revelam um padrão claro. A responsabilidade financeira não segue apenas a titularidade do contrato. Ela acompanha o propósito da dívida.
Quando a Dívida Não é Dividida
Existem situações em que a dívida permanece com quem a contraiu. Isso acontece em dois cenários principais.
O primeiro é simples. Dívidas anteriores ao casamento continuam sendo individuais. Elas não se transformam em dívidas do casal.
O segundo é mais delicado.
A dívida não é partilhada quando beneficiou apenas uma pessoa. Aqui entram compras ou gastos que não têm relação com o lar, como procedimentos estéticos individuais, investimentos pessoais ou empréstimos usados para quitar problemas particulares que não envolvem a família.
Mas é importante lembrar. Quem afirma que a dívida é exclusivamente pessoal precisa provar isso. A presunção inicial é sempre de benefício comum. E desfazer essa presunção exige documentos, detalhes e clareza.
Por Que a Partilha de Dívidas Gera Tanto Conflito
O divórcio já é um processo emocionalmente desgastante. Quando surge a discussão sobre dívidas, tudo ganha um peso ainda maior. É difícil lidar com números enquanto se enfrenta o fim de uma história. Difícil olhar para contratos esquecidos. Difícil perceber que algo que parecia pequeno pode afetar o futuro financeiro de maneira profunda.
A verdade é que poucas pessoas falam sobre dívida antes de casar. Menos ainda falam sobre dívida durante o casamento. O resultado aparece no fim. E dói.
Conclusão. A Decisão Sobre as Dívidas Pode Mudar o Seu Futuro
Você já imaginou ser cobrado por uma dívida que não sabia que existia?
Ou perceber, tarde demais, que uma assinatura feita anos atrás pode comprometer sua vida financeira pelos próximos anos?
A partilha de dívidas exige atenção imediata.
Quanto mais tempo se espera para entender o que é de cada um, maiores são os riscos. A lei oferece caminhos claros. E compreender esses caminhos é essencial para proteger seu patrimônio e sua tranquilidade.
A separação fecha uma porta. Mas a forma como você resolve as dívidas define como as próximas portas vão se abrir.
FAQ. Perguntas Frequentes Sobre Divórcio e Dívidas
As dívidas no nome do meu ex podem recair sobre mim?
Sim. Se a dívida foi criada durante o casamento e beneficiou a família, ela pode ser dividida.
E se a dívida foi feita sem meu conhecimento?
O desconhecimento não impede a partilha quando a dívida é presumida como familiar. O que importa é o benefício, não a ciência.
Dívidas pessoais, como estética ou compras de uso exclusivo, também são divididas?
Não. Mas é necessário provar que o gasto serviu apenas a quem contratou.
O financiamento do carro entra na divisão?
Sim, quando o veículo foi adquirido durante o casamento e utilizado pela família.
Um empréstimo feito antes de casar se divide?
Não. Dívidas anteriores permanecem com quem as contratou.
Como provar que a dívida não é familiar?
Documentos, extratos, notas fiscais e qualquer elemento que mostre que o gasto não trouxe benefício ao lar ajudam a afastar a presunção.
Por que esse tema é tão complexo?
Porque envolve emoção, dinheiro, expectativa e uma presunção legal que nem sempre é compreendida pelo casal.
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